Quando o golfe começou nem sequer se
chamavam Greenkeepers. Eram Groundkeepers e tinham que tratar de todo o “chão” do
campo de golfe: relva, caminhos, parques, floresta e matos.
Normalmente era um homem que
entendia o jogo. Acumulava as funções com as de profissional de golfe e passava
o dia no campo, a jogar ou a ensinar, a tratar do campo ou a fazer melhorias.
A grande referencia desta altura foi
o Old Tom Morris. O melhor jogador, o profissional e o greenkeeeper do campo de
St. Andrews, na Escócia. Passou o cargo ao
filho. Ainda hoje isto acontece com frequência nesta profissão.
Muitos anos passaram. Em Portugal
chamamos greenkeeper porque nos soa bem. Em Inglaterra e nos Estados Unidos da América,
onde o golfe é uma industria adulta, um greenkeeper é um operador de máquinas
que faz parte da equipa de manutenção do campo de golfe. Não é o responsável. A
este chamam Superintendent ou Golf Course Manager.
Esta evolução do nome faz parte da
estratégia de dar mais dignidade à profissão. Em vez de a colar ao jardineiro
as associações destes países decidiram atribuir-lhes um cunho mais a ver com
liderança e com a gestão.
São enormes as Associações tal como
é enorme a indústria de golfe nestes países.
A Golf Course Superintendents Association
of America teve inicio em 1926. Tem sido a Associação líder que representa os
que gerem os campos de golfe nos Estados Unidos e no resto do mundo.
Disponibiliza formação, informação e representa cerca de 17.000 membros em mais
de 72 países. A sua missão é a de servir os seus membros a progredir na sua
profissão e a promover o entusiasmo, o crescimento e a vitalidade do jogo de
golfe.
A British and International Golf
Greenkeepers Association existe desde 1987 e resulta da junção de várias associações
pequenas que foram aparecendo na Grã-Bretanha. Tem cerca de 6.000 membros e a
sua missão é promover as melhores práticas de gestão de relvados desportivos.
A nossa realidade é um pouco
diferente. A Associação Portuguesa de Greenkeeepers (APG) teve o seu inicio no
ano 2 000, tem cerca de 150 Associados e representa a maioria dos Greenkeepers
portugueses. Tem a missão de promover
a profissão do Greenkeeper e dos que fazem parte da equipa de manutenção dos
campos de golfe; facilitar
acesso a informação técnica que permita um melhor desempenho de todos os que
estão envolvidos na manutenção de campos de golfe; promover a comunicação entre os sócios e
entre estes e o resto da indústria de manutenção de campos de golfe.
Pretende que os sócios se revejam na
Associação, quer nos valores quer nas ações; que os sócios e os parceiros sintam retorno pelo tempo e o
dinheiro investido na Associação; promover uma imagem positiva da Indústria do
golfe e particularmente dos campos de golfe em Portugal.
Quando a APG começou a realidade era
muito diferente do que é hoje. A maior parte dos greenkeeeprs não tinha
formação universitária. Eram profissionais muito competentes com capacidade de
liderança e com experiencia muito sólida no terreno. Foram aos poucos sucedendo
aos estrageiros, principalmente da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos da
América, que vinham a Portugal fazer uma excursão profissional como mais um
passo nas suas carreiras.
Hoje os grenkepers são na maioria
licenciados em Agronomia e em outras engenahrias.
Também exportamos profissionais nesta
profissão. Temos Portugueses na europa, Ásia, Austrália, Estados Unidos da
América e na Europa a manter campos de golfe.
Entre as várias ações que promove a APG organiza
um Congresso anual com todos os sócios e patrocinadores. O tema do Congresso
deste ano é curiosamente “Repensar o papel do Greenkeeper”. Será um tempo de reflecção
e de discussão quando se atravessa um tempo muito duro na industria do golfe
onde todos têm perdido meios financeiros, humanos e materiais para exercerem a
sua profissão e para apresentarem campos de golfe com qualidade e sustentáveis.
A indústria imobiliária teve a maior
crise de sempre. Os campos de golfe, que foram feitos para acelerar e aumentar
os valores das vendas do imobiliário, foram os primeiros afectados com esta
crise. Não foram pensados para serem sustentáveis e como tal, não o são ainda. Agora
já não recebem fundos gerados na venda do imobiliário e como não geram dinheiro
suficiente não podem pagar as suas contas. Corta-se nos custos. A qualidade dos
campos fica comprometida, se não logo num futuro muito próximo. O resultado do
trabalho dos greenkeepers portugueses já não pode ser o mesmo.
Como se têm adaptado os greenkeeprs
a esta nova realidade?
Com muito trabalho, paciência e
criatividade.
Compras conjuntas com outros campos.
Menos deslocações que são
substituídas por comunicação e aprendizagem por meios mais rápidos e baratos
tais como o Facebook.
Junção de esforços com partilha de
recursos entre os campos.
Melhor comunicação com os donos,
gestores e jogadores dos campos de golfe sobre as suas decisões a gestão das
prioridades.
O que é hoje o dia a dia de um
greenkeeper?
Planear, definir prioridades,
comunicar com colegas vizinhos para partilhar esforços, comunicar em todas as direções
o porquê das suas decisões. Fundamentar todos os custos e investimentos que
sugerem, gerir as suas equipas. Curar os males e resolver os problemas que
apareceram porque a manutenção preventiva não é muitas vezes possível.
No fim, se houver tempo, ajudam a
sua equipa a cortar, arejar, pulverizar, adubar, limpar e dar a dignidade
possível ao seu campo de golfe.
Continua a ser uma profissão apaixonante.
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